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floripa tem?:

não lembro de em uma outra ocasião ter deixado as minúsculas tanto tempo sem um novo post. acontece que, desde a segunda-feira 02 de janeiro, preferi acompanhar de longe uma série de conversas criadas e realimentadas via facebook por alguns amigos (quase todos envolvidos direta e indiretamente com a vida cultural daqui) sobre assuntos aparentemente diferentes, mas complementares (floripa tem, palco pretinho básico no (festival) planeta atlântida e secretaria de cultura de santa catarina e o mau uso de recursos públicos). esta questão, embora não esteja na "boca do povo", tem a ver com qualquer cidadão que viva neste estado. o ponto é que, desde fins do ano passado, venho evitando o assunto. não quero entrar em certas "brigas", ou ter que buscar argumentos. tenho mais o que fazer. acontece que as coisas nem sempre se dão como gostaríamos ou planejamos. então que, neste sábado, durante a festa de abertura do floripa tem no taikô de jurerê internacional, percebi que também precisava falar a respeito. quem dera fosse classudo e bem humorado como um machado de assis. quem dera... não sou. uma pena, pois se você seguir na leitura, não se deleitará com um texto brilhante. ainda assim, talvez, sendo você, meu leitor, alguém com algum senso de ética e responsabilidade, provavelmente se indignará, ainda que apenas um pouco, com o que tenho a dizer. talvez não. e aí, quem sabe, diga, depois de uma leitura parcial ou total: "mais do mesmo... jean mafra, já sabia disso, que saco!"...

a foto aí de cima diz muito pouco sobre o que se deu no sábado. embora tenha sido tratado com toda educação e respeito pela produção do evento e pelos funcionários da casa, a festa (para convidados do grupo rbs, organizador do floripa tem) foi se tornando um tormento para mim. a despeito de alguns problemas no equipamento de discotecagem do taikô, que atrapalharam significativamente minha performance, contornamos a questão e iniciei meu trabalho com uma série de músicas suingadas (levadas latino americanas, brasileiras, africanas) que agradaram a maior parte dos presentes. estávamos na praia, comemorando o início de um novo ano, um projeto de verão, em uma cidade praieira, daí que até onde poderia se imaginar, aquele poderia ser um som interessante para uma noite como a que se iniciava. mas não era para um certo diretor da rbs que mandou um recado ao dj: "tire essa música, não tem nada a ver com a festa, toque um som lounge sem vocal" (algo na linha ambient house). foi o que fiz. o volume da música, que já era baixo, foi reduzido e eu mantive o padrão itapema de música eletrônica insossa. notadamente o clima ficou meio... sem graça. mas seguiu assim, por cerca de meia hora, até, novamente vir a mim outro recado, "olha, o show vai começar daqui a pouco, coloque um som mais animado". mudei novamente o rumo do barco e passei despejar na pista um série de mashups. a maioria unindo hits de décadas distintas, quase todos em inglês. modéstia a parte, foi um golaço, as pessoas estavam dançando, felizes, e uma boa parte delas me cumprimentava (ou simplesmente cantava junto). foi aí que recebi um outro recado: "TIRE ESSA MÚSICA, FUNK CARIOCA NÃO PODE". neste momento, com umas três pessoas à minha volta pedindo para que  interrompesse uma faixa, um dos grandões veio até mim para deixar claro que eu fazia a coisa errada: "isso aí é música de baixo nível, toque house", me disse (com olhar de reprovação) o gerente de entretenimento da rbs eventos. pouco depois do balde de água fria, começou o show de cláudio zolli e pude descansar um pouco.

antes que alguém pergunte qual "funk carioca" toquei, apresento a lista das músicas "ofensivas": brazilian star wars (faroff), amigo phenomena (dj lucio k), tchutchuca em xr2 (leo justi) e (depois de mais algumas outras faixas, numa linha mais pop, veio aquela que tirou a "diretoria" do sério:) sou foda time (a plus d)... ou seja, nada de proibidão, apenas faixas conhecidas, mashups que, ao menos teoricamente, poderiam agradar gregos e baianos. o doido da situação é que a grande maioria dos presentes estava se divertindo. ninguém estava de cara amarrada por causa da frase "na cama te esculacho, na sala ou no quarto" ou "vou te jogar na cama e te dar muita pressão". ao menos em princípio, havia ou deveria haver, a consciência geral de que aquilo era uma FESTA e que estávamos ali para nos divertir, não para ficar analisando letras de canções. mais: fui chamado para discotecar no evento pelo tipo de som que costumo mixar, certo?!

mas este texto não é sobre o último sábado (chega de mimimi). o buraco é mais embaixo e inclui as próximas eleições para prefeito e o MAU uso dos parcos recursos públicos de cultura de santa catarina em eventos que deveriam beneficiar a cadeia produtiva do cinema, da música, do teatro, da dança produzidos por aqui.

voltemos ao sábado para amarrar uns pontos. que contradição: a despeito das pessoas se divertirem, um pequeno, mas poderoso grupo de grandões mandou e desmandou nos rumos da festa em nome de seus interesses, que não deveriam incluir nada de "baixo nível". pois esta mesma gente determina, em nome de seus interesses (financeiros), que grande parte da população local consuma diariamente músicas, programas de tv e de rádio que nada tem de "alto nível". para o bom gostismo datado e sem imaginação determinado por uma itapema da vida, ver cláudio zoli abrindo um projeto em 2012 com um hit de 1982 é que é "alto nível". nada contra o músico e sua competentíssima banda (que fizeram uma divertida apresentação), a questão é outra: o que significa alto e baixo nível em música?! a programação do floripa tem, por exemplo, estaria em qual das duas categorias? sei não, mas a falta de novidades, de consistência e de relevância artística do projeto talvez poderia ser definido como "abaixo da média". não?


em fins do século XIX a modinha era a música que se ouvia, cantava, tocava na maior parte das casas do rio de janeiro, então a capital da república. aquela música, embora estivesse presente na vida de grande parte do brasil urbano era desprezada por alguns. a letra de um dos "grandes hits" do período diz "iaiá, não teime/ solte a marreca/ se não eu morro/ leva-me a breca(...)". marreca, claro, tem duplo sentido neste caso. a mesmíssima elite que hoje tem vergonha do tamborzão, do tecno brega, do sertanejo universitário já desprezou a modinha, o lundu, o samba, o samba-canção, a bossa nova, a jovem guarda, etc. curioso, desprezou e consumiu em larga escala. essa ambivalência é, na verdade, a cara do brasil que sempre teve uma elite incapaz de pensar sozinha, que sempre preferiu importar modelos a olhar para si com alguma autonomia. em dom casmurro machado de assis nos fornece um retrato poderoso dessa gente, que mudou tão pouco. são "eles " que estão à frente da folha de são paulo, da editora abril, do grupo rbs, etc. são pessoas que temem gostar do que "não deveriam". 


mas "e daí? grande coisa, ora!" poderíamos pensar, dizer. a questão é que, ao longo dos últimos meses o dinheiro do funcultural beneficiou donna fashion, floripa tem e paredão pretinho básico (todos do grupo rbs). isso em um ano no qual a secretaria de cultura, esporte e turismo cumpriu apenas parcialmente com as suas obrigações... e olhe lá! obviamente que existem muitas questões mal explicadas no modos operandi de cesar souza jr., mas esses procedimentos parecem ser o padrão desta secretaria (frankenstein), que já teve gilmar knaesel no comando. é assim que "junior" quer chegar a prefeito de florianópolis? através de um trabalho mal feito e passível de contestação (ética, no mínimo)? existem pontos que precisam ser esclarecidos? sim, provavelmente, mas não sou eu que vou investigar, provar, o que há e o que não há. o que lamento, no fundo, é que aqueles que têm competência para tanto, provavelmente não o farão... e as coisas continuarão assim, como se  2012 fosse 1982 ou 1892. 


(pontos adicionais: 01. este texto deveria ser de maior fôlego, há mais o que se dizer a respeito, mas por agora fico por aqui... espero que outros também queiram continuar a discussão 02. tenho vários amigos que trabalham para o grupo rbs, na tv, no jornal, no rádio. respeito essas pessoas e seus trabalhos. o ponto aqui é outro, é preciso deixar claro 03. house music também foi um gênero "baixo nível", surgiu como uma espécie de cruzamento de disco music e eletropop em clubes frequentados por negros pobres de chicago)

Comentários

tatiana cobbett disse…
Meu Mafra Jean...Lamento e como Lamento!!!
Indosso e como te indosso...!!!

daí vem a parte em que devo agradecer....pois não tivesse você enfiado suas picapes nesta M e , talvez,ficasemos sem estes seus palavrares certeiros á nos reforçar a voz....

.....a escolha do caminho não é mais do que um passinho que é dado por você.
HAUABAHAU saudades da lingua ferina do Mafra!!!

Desde que começou o borburinho de fazer uma edição "pretinho convida" também em Floripa ja vi a palhaçada que isso poderia ocasionar no tal evento. A idéia é ultrapassada mas o "grupo RBS" insiste em copiar o que da certo no RS aqui em Floripa ai esta o planeta atlantida e toda a nova programação da rede atlantida que não me deixam mentir ...
O projeto "Floripa tem" nada mais óbvio seria as bandas serem de Floripa! com as bandas "Dazaranha, jonh bala jones e iriê" para chamar o publico entre as outras bandas que TINHA em Floripa... A pergunta é onde estão essas bandas?
Foram buscar SP e em outras cidades o que poderiam conseguir somente aqui engatinhando nesses pequenos(?)eventos e a frase que eu mais ouvia "O negócio é ir para SP la esta o que a gente precisa..." ou "santo de casa não faz milagre..." agora não adianta "reclamar MUITO no Facebook"
porque quando podiam estar se mechendo queriam estar em qualquer lugar menos em FLORIPA.
Eme disse…
Buenas, só uma pergunta, quando afinal, conseguiremos fazer frente a esses caras e não sermos mais reféns dos cofres deles? Quando coseguiremos nos unir e sustentar um proposta que possibilite isso?
Eme disse…
Buenas, quando e como deixaremos as pequenas querelas e umbigos de lado e nos uniremos de fato para criar alternativas de sucesso para mudar essa josta que tá ai, há anos?
gilvas disse…
amigo, que "robada" esta festa, ein? não há realmente o que acrescentar sobre o coronelismo que exala dessas pessoas.

fungindo, de certa forma, ao assunto, mas nem tanto, ontem eu lia uma entrevista rápida de perry farrel, dono do festival mais "antenado" do mundo, e eis que ele me larga esta: "quero fazer algo significativo para a música, não quero me aposentar como músico de uma banda de rock, meu desejo é fazer house music".

voltando no tempo, e indo ao espaço que era ocupado pelo bahamas club, na fazenda do max, lembro de como se falava mal de house. hoje o estilo tem diversas facetas, ou há confusão sobre o que seja e o que não seja house, cabendo aí até a definição dos grandões que contrataram um dj apenas para ele ficar trocando as faixas que eles, os grandões, queriam ouvir.
Silvio Mansani disse…
É isso aí, Jean!!! Mas o que está se discutindo por aí é a qualidade dos turistas que Floripa Tem atraído...
gilvas, que fique claro:
EU NÃO DESPREZO HOUSE MUSIC.
tem muita coisa legal e new order e pet shop boys, meus xodós, tem muito de house, claro.

agora, exitem "houses" e house, certo?
Anônimo disse…
Eu tenho dito... E não é de hoje... Bom saber que tem velhos amigos que pensam como eu... Ás vezes falar a verdade faz com que vc seja isolado...

Abração, T. Halmenschlager
Don Mattos disse…
Acho que o cerne de parte dessa discussão toda ficou muito bem resumido no trecho final do comentário do Gilvas, eles contrataram um músico profissional para realizar o seu trabalho, que o deixassem fazer. Se, ao final do trabalho, este fosse considerado aquém das expectativas, que não se contrate mais o tal profissional.

Quanto ao resto da discussão, o mote principal dos teus lamentos, é uma politicagem que não acredito que tenha cura.

Quando vejo a receita federal funcionar como fosse ficção científica, declaras da tua casa, o provedor deles cruza tuas informações com tuas movimentações finaceiras, teus cartões de crédito e tudo funciona que é uma beleza, mas para se transferir um automóvel perde-se dois dias em filas, diversos guichês, taxas mal explicadas, já percebe-se o que todos sabemos, funciona somente aquilo que é conveniente e para quem é conivente.

Se para procedimentos cotidianos e simples tudo já é tornado tão confuso, imagine para se dar destino a uma verba destinada a cultura de um país cujos timoneiros não dão bola pra isso.

Não acredito no Brasil.

Mas adorei as músicas que te condenaram!
ai ai ai, david, tu me matas!!!
Capelo disse…
Saudade da época em que o artista tinha postura frente as situações. A obra de cada um diz muito disso. A escolha do repertório, o set, ...
Tenho muitos conhecidos que trabalham na RBS, tb... E até quando seremos coniventes com essa situação? Realmente, precisamos ganhar o nosso. Alimentar a família, por computador na sala,..., mas até quando vamos parar de nos importarmos só com o dinheiro, com a grana que receberemos e viveremos algo realmente expressivo?

Quem tá lucrando com essa historia nao são apenas os peixes grandes. Andam vendendo a vida bem barata....
Emannuel Costa disse…
Floripa Tem: mentalidade tacanha.

O que eu vejo, Jean, num panorama geral é que o artista, o técnico ambiental, o engenheiro, o médico pesquisador, o advogado... Enfim, o prestador de serviço, é visto como o cocô do cavalo do bandido.

Parece que é como se existisse um grupo de velhinhas que se reúnem para fazer tricô e ficar tomando chazinho o dia inteiro. E nessa reunião decidem qual é o rumo da cidade.

E esse clube do tricô sabe muito bem aonde quer chegar quando vende uma Florianópolis pacata e high-class que não existe, na novela das 8; quando atrai pessoas high-class para uma fatia da nossa cidade, uma "redoma" com campo de força, em bairros fechados, carros que você só costuma ver no C.S.I. e baladas feitas para segregar a coisa, mesmo.

Uma festa de "alto nível" é isso aí. Infelizmente os caras não se importam se o House nasceu no gueto de Chicago ou foi inventado pelo David Guetta. As velhinhas do clube do tricô disseram que é legal, então é isso e pronto.

Tá, eu viajei demais nessa conspiração, mas se você ampliar esse teu fato (considerando-o isolado) para uma escala maior, vai encontrar um monte de pessoas desabafando sobre coisas que convergem com o que disseste (brilhantemente, diga-se de passagem).

Parece que é isso: somos prestadores de serviços. Por que? Porque o clube do tricô tem dinheiro para pagar. E se nós recusarmos, sempre vai ter alguém pronto para fazer.

A RBS, por mais poderosa que seja, funciona só como uma espécie de terceirização do entretenimento para as festas do clube do tricô. Não é culpa dos nossos amigos que trabalham lá. Eles tão no mesmo barco. Por isso, eu enxergo que nós (artistas, engenheiros, técnicos, ou só prestadores de serviço) como o cocô do cavalo do bandido, ou o peão de obra (nada contra o mérito profissional deles).
Fábio Della disse…
Jean, vc é o cara, tem o dom de encantar as pessoas e disso tudo o que posso dizer é que vc tem muito mais a acrescentar a um envento desses do que esse evento no seu currículo e o pior é que esses babacas pensam ao contrário, que eles é que entendem, triste deles que vivem num mundinho tapado, basta sair de Floripa pra ver que RBS e suas rádios são atrasadas, medíocres e o pior, só copiam o que nem as grandes fazem mais! BOLA PRA FRENTE E ESQUECE ESSA GENTE, FAÇA SOM PRA QUEM MERECE!

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